Nós, estudantes da UDESC aqui representados pelo Conselho das Entidades de Base, entregamos este documento aos parlamentares, aos gestores da UDESC e do sistema ACAFE, e a toda sociedade, em decorrência da insatisfação diante da carência de políticas que cumpram a finalidade da UDESC que deveria ser “a universidade do povo catarinense”, pública, gratuita e com garantias de acesso, permanência e qualidade de ensino, balizados na indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão.
Atualmente, a administração da UDESC privilegia um crescimento desmedido. Em nosso entendimento, é um crescimento orientado por interesses políticos diversos e que fogem ao cumprimento da sua real finalidade. Disso resulta, entre tantas coisas, a falta de diálogo e políticas em prol dos alunos. Nós, na maioria das vezes, somos excluídos dos fóruns de discussão e, mesmo quando participamos de espaços de deliberação, nossas vozes e nossos votos sempre são reduzidos e subestimados, chegando ao ponto de estudantes sofrerem retaliações de chefias de Centros quanto a legitimidade e autonomia dos representantes discentes.
A falta de professores efetivos e o baixo incentivo à qualificação prejudicam o fomento de Pesquisa e Extensão, além de interferirem negativamente na qualidade do Ensino. A UDESC ser considerada a 14° melhor Universidade do país apenas demonstra o quanto os instrumentos de avaliação das instituições públicas de ensino estão sendo equivocadamente utilizados e planejados pelo Estado, pois é um dado que superestima e, portanto, não condiz com a nossa realidade. Além disso, os poucos estágios agregados ao baixo valor das bolsas prejudicam os/as acadêmicos/as de baixa renda, o que muitas vezes inviabiliza a permanência na Universidade. Neste contexto, não só a questão da permanência acaba adquirindo ares de exclusão social, como também o próprio acesso que, ao creditar sua seleção à “meritocracia” do vestibular, privilegia as camadas médias e altas da sociedade. Compreendemos que as políticas de ações afirmativas não solucionarão o desvio do vestibular e, mais que isso, irá demandar investimentos em políticas de permanência estudantil, algo que simplesmente não existe Universitário ou uma Moradia Estudantil
As tentativas de debate com a administração não tem sido exitosas. Suas posições têm sido irredutíveis quanto às demandas estudantis, seja do Restaurante Universitário; ou até mesmo de garantias da continuidade de cursos (como o curso de Enfermagem e Zootecnia que podem cessar o seu funcionamento). Dentre todos os problemas percebidos na UDESC, acreditamos que o que mais se evidencia o descaso é a situação do Centro de Educação Superior do Oeste – CEO. Surpeendemo-nos recentemente com as 17 disciplinas sem professor no CEO, que conta com um curso de Engenharia de Alimentos que não tem água potável, laboratórios de exatas e plantas pilotos; um curso de Zootecnia – considerado o melhor no Brasil – que não conta com campo experimental, animais ou prédio próprio; além de um curso de Enfermagem que não tem um campo de estágio de alta e média complexidade (UTI, emergência, oncologia, nefrologia, centro cirúrgico).
As respostas têm sido afirmações equivocadas e preconceituosas, sem qualquer fundamentação empírica, apesar da cobrança dos estudantes na elaboração de uma pesquisa do perfil sócio-econômico. Pesquisa esta, prometida pela Reitoria para junho deste ano e refeita no debate do dia 16 de Setembro, na cidade de Joinville. Apesar das promessas de elaboração da pesquisa, há um posicionamento explícito da Reitoria de que não haverá participação discente na formulação dos critérios que comporão o perfil sócio-econômico.
Isso para não se prolongar nas debilidades da parte física, tais como: precariedade e demora prolongada na construção dos prédios; ocupação de prédios alugados; e, quando com prédio próprio, há deficiências de acessibilidade, existência de infiltrações e rachaduras, etc. Há ainda alguns Centros localizados em áreas de risco, com pouco ou nenhum acesso de transporte público; áreas da universidade contando com ocupações privadas (moradia, plantações, etc.); além da escassez de banheiros, laboratórios, cantinas, restaurante, materiais de consumo e mesmo de água potável. As obras nos centros perdem prioridade para criação de novos campi. São deixadas de lado soluções emergenciais dos problemas criados pelos próprios gestores, na má administração – ou melhor, na mera administração voltada para politicagem e manutenção do poder nas mãos de poucos – em prol de mais expansão e menos qualidade. A expansão do ensino público se faz sim necessária, no entanto, precisam vir acompanhadas de condições mínimas de trabalho, permanência e qualidade.
Reafirmamos nossa indignação com a situação exposta, mantida a custo pelos trabalhadores catarinenses, e perante as autoridades presentes, reivindicamos:
*Planejamento que vise a expansão da Universidade somente quando políticas básicas, como de acesso e permanência estudantil, estejam consolidadas;
*Construção dos prédios dos Centros com garantias de infra-estrutura em conformidade com as necessidades de cada Curso, para uma formação completa;
*Na organização curricular, tanto para garantir estágios, como para que haja revisão curricular com participação estudantil;
*Empenho e estímulo à contratação de corpo docente qualificado;
* A garantia do Sistema Acafe com o Ensino superior público, assegurando a indissociabilidade do Ensino, Pesquisa e Extensão e, desta forma assumindo as responsabilidades adquiridas na centralização e articulação das políticas de ensino superior no Estado;
* Transparência de contas da UDESC;
* Posicionamento dos parlamentares em favor da permanência estudantil
Postado em 5/11/2009 19:47